2 de dezembro, o Dia Nacional do Samba
Sabe por que
o Dia Nacional do Samba cai em dois de dezembro? Não, não é a data de
nascimento de Tia Ciata. Também não é quando gravaram "Pelo
Telefone". Muito menos quando Ismael Silva e os bambas do Estácio fundaram
a Deixa Falar. O Dia Nacional do Samba surgiu por iniciativa de um vereador
baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso. Ary já tinha
composto seu sucesso "Na Baixa do Sapateiro", mas nunca havia posto
os pés na Bahia. Esta foi a data que ele visitou Salvador pela primeira vez.
Engraçado, não? A festa foi se espalhando pelo Brasil e virou uma comemoração
nacional.
Atualmente duas cidades costumam
comemorar o Dia do Samba, Salvador e Rio de Janeiro. Sob a batuta do músico
Edil Pacheco, Salvador sempre tem promovido grandes shows no Pelourinho com os
ótimos e injustamente desconhecidos sambistas locais. Gente como Riachão,
Ederaldo Gentil, Nelson Rufino, Roque Ferreira, Walter Queiroz, o próprio Edil,
e o falecido Batatinha, recebendo convidados mais famosos, como Paulinho da
Viola, Elza Soares, Beth Carvalho e Dona Ivone Lara.
No Rio a divertidíssima festa fica
por conta do Pagode do Trem. A idéia do samba surgiu quando moradores de
Oswaldo Cruz resolveram criar um movimento para revitalizar o bairro, era o
"Acorda, Oswaldo Cruz". No Dia do Samba o pessoal se reúne na Central
do Brasil, lota um trem e vai tocando e cantando até Oswaldo Cruz, lá formam-se
trocentas rodas de samba. Depois que começou, descobriu-se que já havia sido
criado décadas antes por uma das mais importantes figuras do bairro, Paulo da
Portela. Naquela época o samba era perseguido pela polícia. Os sambistas faziam
suas reuniões e promoviam animadas rodas dentro dos vagões do trem. Hoje o
Pagode do Trem faz parte do calendário oficial da cidade e tem estado cada ano
mais cheio.
Este ano o samba cairá num sábado.
O esquema é o seguinte, a partir das 18h começa a concentração -- com muita
cerveja, claro - na Central do Brasil. Já há um trem inteiro reservado para o
samba. Ano passado foram oito vagões ultra lotados, este ano já reservaram 12.
Cada vagão vai com um grupo que agita uma das rodas de samba do Rio, tem o
vagão da Velha Guarda da Portela, do Bip-Bip, o da Teresa Cristina e grupo
Semente, o da Tia Doca e Sonho Real, e por aí vai. O trem vai direto para
Oswaldo Cruz, fazendo apenas uma parada na Mangueira para pegar a velha guarda
verde e rosa. Chegando, você verá a maior concentração de rodas de samba já
feita. Basta umas três pessoas se encontrarem para fazer uma. O clima é um
barato.
Mas é bom se preparar. É uma
verdadeira maratona. Começa às 18h e vai até o último sobrevivente. No trem,
vai todo mundo em pé no vagão lotado. Se não ficar perto dos músicos é até
difícil escutar algo. A festa é ótima e divertidíssima, mas não vá esperando
grande coisa na parte musical. O melhor é mesmo a bagunça. A Beth Carvalho
costuma aparecer para dar uma força e sempre canta algo.
Ano passado chegou a ter uma
regulagem sobre quem poderia ficar no vagão com os músicos mais conhecidos. A
sugestão é fugir dele, fica cheio de repórteres, câmeras, chatos, luzes e gente
querendo aparecer. São os menos divertidos. Preocupante este ano é que estão
promovendo o evento, que nunca teve muita mídia, na - argh! - FM O Dia. Espero
que não estrague a linda festa. Texto de Paulo Eduardo Neves
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