Acreditem! Planalto discute hipótese de decretar estado de defesa! Chegou a nossa vez de dizer: “Não vai ter golpe!”
Prestes
a perder a Presidência da República, parece que Dilma Rousseff pode também
perder o juízo. E está com um problema grave: cerca-se de assessores que são
piores do que ela própria, receita certa para o desastre, especialmente quando
não se é, assim, um Schopenhauer da política, e as ideias são mais curtas do
que o cabelo. O Palácio do Planalto — Dilma e seu entorno — passou a debater a
ideia de decretar, pasmem!, estado de defesa contra o que chama “golpe”. A
hipótese — que tanto eu como Demétrio Magnoli tratamos com ironia —,
acreditem!, passou a ser debatida com a seriedade possível pelos
“companheiros”.
E
isso não é um falso alarme! Os feiticeiros estão operando!
É
coisa de celerados. Mas atenção! Até esse “estado de defesa” seria um truque.
Explicarei tudo. Antes, vamos ver em que ele consiste.
A
medida, que é executada pelas Forças Armadas, está prevista no Artigo 136 da
Constituição. Transcrevo trechos:
Art.
136. O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o
Conselho de Defesa Nacional, decretar estado de defesa para preservar ou
prontamente restabelecer, em locais restritos e determinados, a ordem pública
ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou
atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza.”
Contam-se
entre as medidas do estado de defesa:
restrições
aos direitos de:
a)
reunião, ainda que exercida no seio das associações;
b)
sigilo de correspondência;
c)
sigilo de comunicação telegráfica e telefônica;
E,
ora vejam, podem se realizar prisões por crimes contra o estado, respeitadas
algumas disposições.
Cumpre
lembrar que, decretado o estado de defesa, o presidente tem 24 horas para
submeter o ato, com a devida justificativa, ao Congresso, que deve examiná-lo
em até dez dias. Se o decreto for recusado, fim de papo. Não há estado de
defesa.
Então
vamos ver
Hoje,
enquanto escrevo, o governo avalia que vai perder a batalha do impeachment. Os
petistas sabem que não será o Senado a segurar Dilma.
A
presidente, seus assessores e o comando do PT querem dar verossimilhança à
farsa que inventaram, segundo a qual está em curso um golpe no Brasil. Para
tanto, é preciso fabricar o “fator militar”, que inexiste.
Fator
militar
Falemos
dele. As Forças Armadas já fizeram saber a quantos interlocutores buscaram a
sua opinião que se manterão no estrito cumprimento da Constituição. Segundo o
Artigo 142, elas se destinam “à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais
e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”.
Mas,
para tanto, é preciso que a lei e a ordem — as da Constituição, não aquelas
emanadas da vontade ou do chilique do governo de turno — estejam sob ameaça. E,
obviamente, não é o caso.
Não
será obedecida
Se
Dilma chamasse hoje os militares para ir às ruas para reprimir brasileiros
pacíficos, creio que eles não a obedeceriam, não é mesmo? Caso obedecessem,
seria o Congresso a recusar o decreto. Em qualquer das duas hipóteses, a
presidente ficaria falando sozinha.
E
aí está o busílis. O PT decidiu que não vai apear do poder segundo, vamos
dizer, a normalidade burocrática para o caso. É preciso criar um ritual
traumático que caracterize, então, o golpe que nunca existiu. Se, para tanto,
for preciso criar agitação nos quartéis, por que não?
E
notem que essa perspectiva não se dá apenas na possibilidade de Dilma decretar
o estado de defesa, mas de, eventualmente, o próprio Temer, na Presidência,
precisar recorrer a tal instrumento se as esquerdas cumprirem a ameaça: ou não
estão dizendo por aí que, se Dilma for deposta por impeachment, seu sucessor
não governa?
O
próprio advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, chamou o eventual
governo Temer de “ilegítimo”. Afrontando a Constituição e a Lei da Improbidade
Administrativa (8.429), Dilma chama o vice abertamente de golpista, dentro do
Palácio do Planalto, cercada por seus acólitos.
Os
que se alinham com a defesa da Constituição, do estado de direito e da
democracia têm de repudiar de pronto essas armações.
Os
petistas perderam completamente o juízo e agora investem no confronto para
criar a mímica de um golpe que não existe nem existirá. E isso, sim, é golpismo
escancarado.
Chegou
a nossa vez de dizer aos petistas: “Não vai ter golpe”. Fonte: Veja
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